Áley Ferraz transforma aprendizados da formação Territórios em Travessia em cartilha-zine sobre Direito à Cidade e Justiça Climática
- climaqueer
- 22 de jul.
- 3 min de leitura
Projeto final desenvolvido durante a formação do Clima Queer utiliza arte, narrativa e educação popular para abordar Justiça Climática, Direito à Cidade, agroecologia e organização comunitária no Recife.
A arte pode abrir caminhos de cura em uma cidade marcada pelo concreto, pelo calor e pela falta de espaços seguros para respirar. Essa é a reflexão que atravessa Entre Pousos: Caminhos de Cura no Concreto do Recife, projeto criado por Áley Ferraz como trabalho final da formação Territórios em Travessia: Moradia, Clima, Corpo e Direito à Cidade para pessoas trans e travestis, realizada pelo Clima Queer.
A partir dos aprendizados e das experiências compartilhadas durante os encontros da formação, Áley desenvolveu a proposta de uma cartilha-zine que combina expressão artística, narrativa e conteúdo informativo. O trabalho aborda práticas de agroecologia, liderança horizontal, justiça climática e direito à cidade em uma linguagem acessível, pensada também para alcançar crianças e adolescentes.
Um bem-te-vi sobrevoando o Recife
A história é conduzida por Gregório, um bem-te-vi que precisa adaptar sua rotina às transformações da cidade. Em seus voos pelo Recife, o pássaro observa o trânsito, o calor intenso, os edifícios espelhados e o avanço do concreto sobre os espaços verdes.
O personagem foi escolhido por sua capacidade de adaptação à vida urbana. Ao acompanhar seus deslocamentos, o público é convidado a perceber como as escolhas feitas na construção das cidades afetam pessoas, animais, plantas e diferentes formas de vida.
Durante o primeiro voo, Gregório encontra uma cidade tomada pelo barulho, pelo asfalto e por construções que intensificam a sensação de calor. A paisagem apresentada no projeto expõe os efeitos de um modelo urbano que nem sempre considera o bem-estar de todos os corpos que habitam o território.
Um lugar para pousar no meio do concreto
A narrativa muda quando Gregório encontra um espaço verde em meio ao cinza: a agrofloresta de Entra Apulso, criada pelo Coletivo Chié do Entra com a participação da comunidade.
No território, o pássaro observa árvores frutíferas, ervas, insetos, microrganismos e pessoas construindo coletivamente um espaço de cuidado. A agrofloresta aparece como exemplo de tecnologia social e ancestral capaz de responder às necessidades das comunidades diante da crise climática.
Por meio dessa experiência, Gregório compreende que as pessoas também sentem as mudanças no clima: o aumento do calor, as chuvas mais fortes e a redução das áreas de sombra. Ele também descobre que existem formas comunitárias e horizontais de criar soluções para esses problemas.
Arte, educação popular e justiça climática
Entre Pousos transforma conceitos como justiça climática, agroecologia, autonomia comunitária e direito à cidade em uma história visual e afetiva. A proposta busca democratizar esses debates, aproximando-os das experiências cotidianas vividas nos territórios periféricos.
O trabalho também chama atenção para a importância de reconhecer e fortalecer iniciativas que já existem nas comunidades. Hortas, agroflorestas, coletivos e redes locais não representam apenas espaços de cultivo: são formas de organização, produção de conhecimento e resistência diante das desigualdades urbanas e climáticas.
Na narrativa criada por Áley, resistir à injustiça climática não significa apenas sobreviver ao caos. Significa construir coletivamente territórios onde pessoas, plantas e animais possam respirar, encontrar sombra, produzir alimentos e estabelecer relações de cuidado.
Territórios em Travessia
A formação Territórios em Travessia foi desenvolvida pelo Clima Queer com o objetivo de fortalecer pessoas trans e travestis por meio de debates sobre moradia, mudanças climáticas, corpo, território e direito à cidade.
Os projetos finais nasceram dos conhecimentos, experiências e inquietações compartilhados ao longo desse percurso. Com Entre Pousos, Áley Ferraz mostra como a arte pode traduzir debates complexos, valorizar as resistências presentes nos territórios e ajudar a imaginar outras formas de construir e habitar as cidades.
O trabalho completo está disponível no link abaixo.
