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Reexistências de Mangue e Rio


onde a vida pulsa em sua própria natureza,

na memória do Capiba, reexistindo


pra onde vão as garças,

senão cortar os barcos,

trazendo no bico

o gosto do mangue


na memória do Capiba, reexistindo


o dia ainda úmido a fome ainda aberta

mãos afundam na lama, mariscos

e ostras se encontram

onde o solo se funde com o concreto

misturado à boemia de quem assiste da

sombra a vida se esvair


na memória do Capiba, reexistindo


as palafitas rangem sobre a maré,

se equilibrando em pernas de pau

onde água turva sustenta o peso dos sacos


na memória do Capiba, reexistindo


a rede risca o rio,

volta pesada de silêncio e certezas


na memória do Capiba, reexistindo


fissuras abertas

os dedos gastos,

nas lembranças dos horários

e a água sobe

sem pedir licença

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