Reexistências de Mangue e Rio
- climaqueer
- há 4 horas
- 1 min de leitura
onde a vida pulsa em sua própria natureza,
na memória do Capiba, reexistindo
pra onde vão as garças,
senão cortar os barcos,
trazendo no bico
o gosto do mangue
na memória do Capiba, reexistindo
o dia ainda úmido a fome ainda aberta
mãos afundam na lama, mariscos
e ostras se encontram
onde o solo se funde com o concreto
misturado à boemia de quem assiste da
sombra a vida se esvair
na memória do Capiba, reexistindo
as palafitas rangem sobre a maré,
se equilibrando em pernas de pau
onde água turva sustenta o peso dos sacos
na memória do Capiba, reexistindo
a rede risca o rio,
volta pesada de silêncio e certezas
na memória do Capiba, reexistindo
fissuras abertas
os dedos gastos,
nas lembranças dos horários
e a água sobe
sem pedir licença



Comentários